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Viola CampaniçaViola Campaniça

 

"Ouvir uma viola campaniça é responder a um chamamento. Não o abismo ou desgraça, mas para uma zona onde a paz de espírito nos envolve, como crisálida tecida a doce e a tufos de penugem.
As modas parecem vir lá do fundo, libertando-se de amarras, que as ligam às coisas perenes e belas, como recordações de infância."

José Luís Jones in Viola Campaniça , Ilha dos Vidros


A viola popular portuguesa chegou até aos nossos dias sob várias formas e denominações: Braguesa, Ramaldeira, Amarantina, Toeira, de Arame, da Terra, Campaniça. Aparentemente distintas, são afinal expressões populares pertencentes ao mesmo grupo de cordofones, as violas de arame.

No Baixo Alentejo a viola é denominada de Campaniça. A primeira notícia histórica que estabelece a ligação terminológica entre a viola alentejana e a região campaniça data de 1916.
A Viola Campaniça surge com maior destaque na zona do “Campo Branco”, geograficamente situada na região que compreende os concelhos de Aljustrel, Ourique, Castro Verde, Almodôvar e parte do concelho de Odemira. Existindo também referência desta viola noutras zonas do Baixo Alentejo, nomeadamente Beja e Serpa.

Acompanhando o cantar ao desafio, as modas campaniças ou os passos simples de uma breve dança, a viola Campaniça estava presente em bailes, em feiras e romarias, como a Festa da Senhora da Cola ou a Feira de Castro, animava tertúlias, desempenhando também um importante papel nas tabernas onde os homens da terra se juntavam para conviver. Porém, este contexto social e cultural foi-se alterando, as violas começaram a ficar esquecidas dentro das arcas e armários, os bailes começaram a requerer sons modernos, de que a Campaniça há muito havia deixado de fazer parte.

No final dos anos 80, apenas existiam dois tocadores, Manuel Bento e o seu tio Francisco António, naturais da Aldeia Nova (Ourique). Foi neste momento que surgiu um movimento de revitalização da Viola Campaniça, desencadeado pelo aparecimento de programas de rádio como o “Património” apresentado por José Francisco Colaço Guerreiro (Rádio Castrense) ou “Lugar Ao Sul” apresentado por Rafael Correia (Antena 1). O primeiro ainda hoje se mantém e impulsionou o aparecimento do Grupo de Viola Campaniça formado inicialmente pelos dois tocadores citados anteriormente e pela cantadeira Perpétua Maria. Neste âmbito, surgem igualmente, novos tocadores, etnomusicologos, como José Alberto Sardinha e outros investigadores e curiosos que se deixaram seduzir pelo toque da viola campaniça e que têm desenvolvido uma acção importante de salvaguarda e dinamização da viola, tornando-se hoje uma sonoridade familiar.

 

 


 

 

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